Brincar aos Céus
Vamos brincar aos céus

Agarramos num céu e abrimo-lo ao meio para reflectirmos.

Depois de tê-lo feito,
invertemo-lo para ver o efeito.

Em seguida
pegamos em dois pedaços de terra e em dois céus,
viramo-los ao contrário e colamo-los numa folha de cartão

de forma

a que cada lado fique rigorosamente encostado ao outro lado
como se fosse a minha mão a acariciar tua mão.

Rimemos então, apaixonadamente, como manda a boa norma,
mas vamos primeiro estudar cada caso em separado:



Segunda Versão

(céu e terra virados de pernas para o ar)
(céu e terra virados de pernas para o ar)

Céu
escuro, negro, sem futuro

por que me aliciaste com promessas
de satisfazer o meu desejo de eterna felicidade

só para teres a Suprema maldade
de pôr-me a tropeçar no teu etéreo chão

rumo ao nevoeiro que já perto vejo
a anunciar o negro Paraíso da minha escuridão?


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Primeira Versão

(céu e terra cada um em seu lado)
(céu e terra cada um em seu lado)

Céu,
misterioso,

que numa mancha escura reflectes no céu
as entranhas da terra que me vão na alma
no silêncio profundo desta tarde calma
em que já avisto ao perto

o Cabo deserto do Fim do Mundo

onde a Terra acaba e começa o mar, de lágrimas feito,
de todos os que morreram ou vão morrer sem razão, nem jeito.

Céu,
sê generoso

e põe na Terra o Sol a aquecer o frio da nossa dor
para que ela só reflicta em ti o calor do amor!


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