Brincar aos Céus
Vamos brincar aos céus
Agarramos num céu e abrimo-lo ao meio para reflectirmos.
Depois de tê-lo feito, invertemo-lo para ver o efeito.
Em seguida pegamos em dois pedaços de terra e em dois céus, viramo-los ao contrário e colamo-los numa folha de cartão
de forma
a que cada lado fique rigorosamente encostado ao outro lado como se fosse a minha mão a acariciar tua mão.
Rimemos então, apaixonadamente, como manda a boa norma, mas vamos primeiro estudar cada caso em separado:
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(terra colada a terra, topo a topo)
Olha, primeiro, para as três ilhas misteriosas que, silenciosas, se espreguiçam no ocaso do dia
pintadas no quadro pelo Deus Pintor para salientarem a harmonia do curvar do mar e, também, para poderes calcular a dimensão do perímetro da Terra, todos de sua Divina criação
e é, por isso, que também às vezes é conhecido por Criador ou Deus Patrão, mais valeria lhe tivessem roubado o pincel e a tinta ou cortado a mão!
Basta olhares um pouco mais para cima e reconhecerás a tua triste sina ao fixares os dois olhos azuis semicerrados da Besta, da Fera de narinas grossas e cabeça felina que o Pintor escondeu nas nuvens e que está lá à tua espera para ganhares a Perdição!
É a Besta, o Seiscentos e Sessenta e Seis, o Seis, Seis, Seis, o Senhor das Trevas, o Bode, o Impostor, o Génio do Mal,
o Estupor que não nos dá tréguas,
criação definitiva e final do Deus Total, pai, filho e espírito santo do Bem e do Mal!
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(céu colado a céu, topo a topo, mas ao contrário)
Vejo o Céu negro provocado pela explosão nuclear que criou o sismo que enterrou a Primavera e gerou a cratera que lá ao fundo vês
e que, desta vez, pôs o Divino Triângulo de pernas para o ar,
transformando-o no ferro falsamente radioso, mas duro, da seta que aponta para o abismo do nosso Futuro!
No corpo da seta viaja a estante santa dos Livros dos Salmos para que o Senhor possa,
de explosão em explosão,
continuar a cantar os hinos e a tocar os sinos
que nos levam a amá-Lo sem nunca O termos visto, contra a opinião de alguns que Nele não acreditam e que nos avisam:
afinal, só nos mostrou Cristo!
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(céu colado a céu, topo a topo)
Que estranho Triângulo de Deus eu vejo nos Céus!
Tem no cimo
um Resplendor acastanhado, já um tanto estragado, a repousar na alva cabeça de um Senhor ortodoxo, barbas brancas caídas, a quem designamos por Criador por ter sido criado para criar nossas vidas.
De cada lado da Sua cabeça vê-se uma Pomba da paz!
Mais abaixo, num círculo castanho achatado, vejo a cara de um rapaz que diz ser seu Filho e que talvez um dia substitua o Pai,
pelo que sei Dele, acho que Ele não sai,
a pesar de nunca se ter realmente esforçado para acabar com a guerra no Mar, no Céu e na Terra!
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(terra colada a terra)
Céu que te fazes mar para melhor cercar a Terra e que usas o refluxo das tuas marés para tomá-Ia ainda mais pequena,
céu sem pena que te arrogas de Moisés, mas que me alicias com imensidão do teu mar para que nele mergulhe, adormeça,
o esqueça
e depois acorde, já sem lembrar, no céu das feridas e das almas perdidas,
abrigo do abismo profundo que te serve de mundo!
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(céu colado a céu com a terra por baixo)
Céu que te aliaste a outro céu para seres o maior dos céus e subjugares melhor a Terra,
céu soez que não deixas a felicidade ter a sua vez,
céu frio que gelaste o monte, o rio e o cimo da serra para melhor te fotografares na tua escuridão!
Com menos Terra e contigo em duplicado fico mais apertado e, obviamente, motivado para iniciar mais uma guerra.
É por isso que digo não e recuso a tua mão!
(tu que me lês, quando chegar a tua vez, vira o Mundo que em cima vês, de cima para baixo. Verás imediatamente que a Terra continua a servir sempre de capacho)
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