Camelo a Perder Pelo

Camelo a Perder Pelo

Camelo que perdes o pelo
pareces o meu pobre país,
limpo quando eu era petiz
e agora um desmazelo!

Camelo calmo e sereno,
runinas palha e feno
e não tens de trabalhar

pois sem pagar,

comes e dormes nun Zoo no Alentejo,

onde, se te chega o desejo,
namoras atrás de um brejo ou, então, de um carvalho!

Camelo, espelho do meu penar,
deverias rir e andar mais bem disposto

porque eu trabalho
e cobram-me logo um Imposto

que, meu desespero tamanho, me tira tudo o que tenho,
passando a ser só osso sem carne, nem pele, nem pelo,

qual país, nem qual camelo,

se sou eu quem perde o pelo,
eu é que sou o camelo!


 

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