Revelação pagã


No eléctrico
Da Boavista para a Foz
Percurso trivial
Do dia-a-dia
Olhando o disco de ouro
Sobre o mar

Tive a estranha
Revelação pagã
Que o Sol
Que no ocaso
Se fundia
Era o mesmo deus
De uma antiga
Civilização
Que com o meu Deus
Se confundia

E que a pequena prece
Que os meus lábios
Murmuraram
Era a mesma oração
Que esse outro povo
Lhe dirigia

Como é bom
Ver-te nascer
Em cada manhã
E no teu ocaso
De agonia
Encontrar
A plenitude
De se ter
Cumprido
Mais outro dia

Sol Deus sol
Dá-me ainda
Outro amanhã
Um novo dia


 

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