| A velha traineira |
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Inerte jaz na areia suja da praia o esqueleto Do barco onde as gaivotas poisam solitárias Que por longos anos para a dura faina levou Os pescadores em busca de míseros salários A voz dos temporais sibila entre as traves desnudas Os fantasmas dos que morreram fazem ouvir seus ais Num lamento pelos familiares que deixaram E na sua dor de não os voltar a ver nunca mais Mas a quilha aponta ainda altiva para o oceano A memória das grandes labutas toma-a altaneira Ou a saudade das grandes viagens ao mar largo É o que resta da antiga glória da velha traineira Um velho pescador saudoso e amargurado Anda vagueando pela praia como louco (Indiferente à saudade e à dor dos homens A podridão corrói-lhe o casco pouco a pouco) |
