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Poemas e Fotografias do Autor
a publicar num próximo livro intitulado
"A Anta do Arco-Íris"



A Quadratura da Vaca

A Quadratura da Vaca

A puxar pela inspiração

vêe-me à cabeça a situação de uma vaca mal parida
depois de ser bem mugida:

    muge, muge e não sai nada,
    uma desgraça acabada!

Para ver se vinha lête (rima minha, tê delête)
e não falhar alguma teta apliquê-lhe a recêta
de a mim mêsme perguntar:

    quantas tetas tem a vaca
    antes de ir parar à faca!

    Duas, Três?

Enciclopédia, dicionário,
mas só o veterinário me esclareceu desta vez:

    quatro tetas tem a vaca
    antes de ir parar à faca!

Como só mugira três, logo esguichê a quarta!

Estava chêa que se farta, começou logo a dar lête

e foi para tê delête e de toda a criatura
que lês-te, de fie a pavie, este conte algarvie

    da faca

       e da qaudratura da vaca


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Asas Que Voam No Chão

Asas Que Voam No Chão

Asas que voam no chão
criação do ilusionista
que do nada faz asas, a perder de vista,

asas de imaginação que não saem do chão
mas parecem voar

como tudo mais na vida

que nos é tão querida
e que está a acabar!


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Panda

Panda

Fui ao Zoo de Berlim ver o panda
branco e preto.

Não divulgarei nenhtun segredo
dizendo que o bicho
passa a vida deitado de costas

comendo folhinhas de bambu
dadas pelo tratador.

Inquiro-me
porque tu, meu amor.
não me tratas assim.

não te custaria muito
e seria óptimo para mim!


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Camelo a Perder Pelo

Camelo a Perder Pelo

Camelo que perdes o pelo
pareces o meu pobre país,
limpo quando eu era petiz
e agora um desmazelo!

Camelo calmo e sereno,
runinas palha e feno
e não tens de trabalhar

pois sem pagar,

comes e dormes nun Zoo no Alentejo,

onde, se te chega o desejo,
namoras atrás de um brejo ou, então, de um carvalho!

Camelo, espelho do meu penar,
deverias rir e andar mais bem disposto

porque eu trabalho
e cobram-me logo um Imposto

que, meu desespero tamanho, me tira tudo o que tenho,
passando a ser só osso sem carne, nem pele, nem pelo,

qual país, nem qual camelo,

se sou eu quem perde o pelo,
eu é que sou o camelo!


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Não bá sombra no Sabara?

Não bá sombra no Sabara?

Não há sombra no Sahara?

Mentira, claro que há,

rasteja à velocidade do vento
que o teu avião faz soprar
lá em cima, bem no alto,

são sombras de sobressalto
a expressar o lamento
que me obrigas a soltar
por estannos longe e bem perto,

tu lá no céu, a voar,

eu, por mim, a rastejar
na sombra do teu deserto


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