Foto Poemas
Poemas e Fotografias do Autor a publicar num próximo livro intitulado "A Anta do Arco-Íris"
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Céu
gasto e roto feito de oxigénio, ozone, azoto, hélio e hidrogénio,
explica-me por que, ao morrermos, rezamos a Deus
para acordannos a respirar as fragrâncias dos céus!
Será que Deus é o nosso balão de oxigénio?
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Bichnhos bem tratados, grandes, lindos, anafados, desinfectados, sem bacilos ... o topo da escala dos crocodilos!
São animais rastejantes que têm a sorte ou o azar de passar a vida a nadar na Economia de Mercado, resort repleto de bons restaurantes onde se come fiado!
Saem todos do ovo já com o fim anunciado, cinto, mala, pulseira ... sapato, casaco, carteira, aligator congelado ou crocodilo enlatado...
...eu, que sou povo, quando parti a casca deparei com o Estado Novo,
linda sorte, sorte minha, veio depois uma andorinha que me trouxe a liberdade,
cheio de felicidade, chilreei, bati as asas, voei...
...mas foi voar de pouca dura, pois, agora, já sem ditadura,
passo a minha vida a piar e quando bato asas ... é para não me despenhar
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Samaritanos, filisteus, publicanos, pelicanos, fenícios, egípcios,
os meus mil eus,
todos à procura
do boi Ápis, da deusa Íris, da Íbis, ou de qualquer deus masoquista que com a sua mão segura
nos passeie no Paraíso da Terra, enquanto se refresca no Céu com o inferno da guerra!
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Annénia, Yerevan, depois de visitar a igreja cristã mais velha do mundo, continuei a pisar o silêncio profundo das pedras da estrada que me leva ao pé do Monte Ararat, o Monte do Dilúvio e da Arca de Noé,
esperança que se revelou vã,
porque dele me separavam fronteiras, barreiras e um milhão e duzentos mil arménios massacrados sem combate,
mortos a quem prestei homenagem em Yerevan não por professarem a religião cristã mas, simplesmente, por terem sido barbaramente assassinados!
Será que tal facto não é mundialmente reconhecido porque o país que massacrou é ainda hoje muito mais forte do que o vencido?
Travado na minha caminhada, já meio exausto, perguntei-me:
Quem define um holocausto?
o predador, o sofredor, quem tem razão, ou quem domina a Televisão?
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Gaivota, princesa do mar tamanho, apascentas o teu rebanho
na tranquila certeza que não irá voar pois está atracado ao mar!
Peixe que sabe nadar também sabe pensar como eu ou como o cão,
só que tem mais razão por calar-se e não ladrar!
A cada cativeiro corresponde um carcereiro,
no peixe,
os muros da sua prisão são os abismos do chão e o céu que cobre as águas,
carcereiro, o tubarão e as redes que lhe trazem mágoas,
para mim,
teu coração e as casas que nele tens vagas!
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