Foto Poemas

Poemas e Fotografias do Autor
a publicar num próximo livro intitulado
"A Anta do Arco-Íris"



Minha mãe dá-me um beijinho

Minha mãe dá-me um beijinho

Minha mãe dá-me um beijinho
já são horas de mamar,
eu sou bem pequenino
ainda mal sei andar!

Lista branca, preta lista,
minha sorte, sorte minha,
não jogo no Boavista!

Meu asilo ... no Alentejo
bem para além do rio Tejo...

...adormeço, embalado por cantares de automóvel e grilo,
sob a copa de uma árvore num Zoo perto do Lavre,

onde,

salvo uma cria de crocodilo,
que mais parece empalhada,
de feroz não há mais nada,

só um lama com ar de doente
que cospe em cima da gente!

Canto, assim, esta canção:

Alentejo do meu coração
minhas feras são só carros,
sem ter medo ao leão
faço xixi nos chaparros!


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Hawaii, Honolulu

Hawaii, Honolulu

Hawaii, Honolulu

e o Sol Poente que encheu-me de paz e harmonia
ao põr a minha alma a nu,

pôr do sol desse mesmo Sol, que noutro velho Poente,
teve a coragem de se desembaraçar do dia e dos dias a seguir ao dia
em que pássaros alados vestindo o Sol Nascente
baixaram dos céus para tudo arrasar,

pôr do Sol do Aloha amigo
que escondes as baleias para lhes dar bom porto
e que te fazes do porco inimigo
para sacrificá-lo às deusas do Luai e do Luar...

pôr do sol do Hawaii,

aqui te declaro solenemente

que vou imitar-te
e ser, eu mesmo, o meu Sol Poente,

um Sol que, calmamente, lentamente,
diria mesmo sorridente e ainda impregnado do seu belo dia,

se deixa apagar no enrolar das vagas do mais imenso mar,

sabendo, antecipadamente,

que se estou, agora, aqui, desaparecendo
estou, também, aparecendo... noutro estranho lugar!

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Degelo

Degelo

Não mudes de Estação

lagoa da minha quimera
que degelas na Primavera
para aquecer-me o coração,

depressa passa o Verão

e toda a paixão de Outono
esfria no frio do Inverno,

não quero meu coração sem dono,
nem minha vida um inferno!


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Minha mãe leva-me à guerra

Minha mãe leva-me à guerra

Minha mãe leva-me à guerra, tenho fome, quero comer,
nada mais sei eu fazer ...

Minha sorte, meu destino, mamei logo em pequenino
o ódio que tinhas no peito do mal que te tinham feito!

Minha roca foi ... uma espingarda de pau; o pião ... metade duma granada; o papão ... o medo ao homem mau
e para embalar-me ... tiroteio à mistura com disparos de morteiro!

Minha mãe leva-me à guerra, tenho fome, quero comer,
nada mais sei eu fazer ...

Jovem adolescente, deste-me depois de presente,
a catana do homem que esquartejou, vivo, meu pai...

apanharam-no, amarraram-no e o Coro disse: matai!

Arranquei de mim meus medos e, com ela, sem me apressar,
primeiro matei seu filho, meu companheiro de folguedos, antes de desmembrar-lhe o pai!

Minha mãe leva-me à guerra, tenho fome, quero comer,
nada mais sei eu fazer ...

Depois ... sempre com a minha catana, percorri matas e serras,
fiz parte de muitas guerras ... fui matando, fui matando ...

... mas eis que surge a Paz,

sou homem, não sou rapaz,
tenho já vinte anos, não me dão de fazer,
tenho fome quero comer ...

minha mãe leva-me à guerra!
nada mais sei eu fazer!


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Luz

Luz

Ensinaram-me que existia,

senti, por isso, que havia,
que se O sentia, me via

e que estava em lodo lado
a inventariar-me o pecado!

Por isso me afastei
e até mesmo O neguei ...

(... quando o fiz já não sei
porque foi devagarinho ...)

Sem bordão e sozinho
segui pois meu caminho,
tropeção em tropeção,

mas Ele não me queria sozinho
e veio ajudar meu caminho
com a sua Revelação ...

... e é por isso
que o fim de luz que aqui vês

não é a luz do pôr do sol

é o sol da minha Luz

já a emanar de Jesus!


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